Filogenia, Biogeografia e Macroevolução


Os cassidulóides são ouriços-do-mar irregulares, proximamente relacionados das bolachas-da-praia, que vivem principalmente em águas tropicais rasas. Apenas cerca de 35 espécies sobrevivem atualmente, mas seu registro fóssil conta uma história muito mais rica, que se estende por mais de 100 milhões de anos. Estudo a anatomia, biodiversidade e relações evolutivas entre os cassidulóides para entender os processos que moldaram esse grupo desde sua origem no Cretáceo.

Os cassidulóides tem sido considerados morfologicamente conservados, pois eles mudaram muito pouco ao longo do tempo geológico. Mas, ao observá-los mais de perto, com as ferramentas certas, eu percebi que eles evoluiram inovações. Usando microtomografia computadorizada (microCT), descobri que as borraianas, as placas abauladas ao redor da boca que ampliam a área usada para se alimentar de sedimento, são na verdade formados de duas maneiras completamente diferentes: alguns por meio da depressão de placas já existentes, outros pela adição de novo material esquelético. Em outras palavras, a mesma estrutura externa evoluiu de forma independente, não uma, mas duas vezes, em linhagens distintas. Essa descoberta também revelou que o gênero Eurhodia forma suas borrainas de maneira diferente do restante da família Cassidulidae, o que significa que ele pertence a uma família própria, proximamente relacionada à extinta Faujasiidae.

Os cassidulóides que sobreviveram à extinção do Cretáceo-Paleógeno não apenas persistiram. Eles prosperaram, diversificando-se rapidamente e se espalhando do Oceano Tétis para oceanos ao redor do mundo. Atualmente, estou rastreando essa expansão, buscando entender como e por que esse grupo conquistou uma distribuição tão ampla. Também estou investigando o outro lado dessa história: por que sua diversidade vem declinando de forma constante desde o Oligoceno.
Filogenia, Biogeografia e Macroevolução



Oligopodia epigonus é a espécie de cassidulóide vivente mais enigmática. Sua morfologia conservada dificulta a inferência de sua posição filogenética dentro da ordem Cassiduloida, e espécimes vivos são notoriamente difíceis de encontrar. O resultado é que pouco se sabe sobre essa espécie.
Para aprimorar nossa compreensão do gênero Oligopodia, estou utilizando imagens 3D de alta resolução para estudar a morfologia corporal de espécimes do mundo todo, juntamente com espécies fósseis. Além de descrever novas espécies, espero explicar a distribuição geográfica notavelmente ampla do gênero.
Em colaboração com o Prof. Charles Marshall (UC-Berkeley) e parceiros da Universidade de Manado (Indonésia), tenho estudado uma população que vive em Sulawesi, aprendendo sobre seu comportamento de enterramento, perfurações feitas por predadores, dimorfismo sexual e muito mais. Também esperamos gerar sequências de DNA. É uma oportunidade única não apenas para aprender sobre os cassidulóides em geral, mas também para finalmente compreender essa espécie enigmática.