Taxonomia




Eu acho fascinante a evolução de planos corporais convergentes. Os equinodermos são caracterizados pelo seu esqueleto único, formado por uma malha intrincada de CaCO3. A arquitetura geral do esqueleto é complexa; em vez de uma estrutura rígida, o esqueleto é possui várias placas de formas e tamanhos variados, conectadas por tecidos moles. Os pepinos-do-mar, entretanto, desenvolveram um corpo vermiforme com um esqueleto totalmente interno composto por minúsculos ossículos e um anel de placas na região anterior, o anel calcário.
Em parceria com Profa. Luciana Martins (MN/UFRJ), eu uso técnicas de imagem avançadas, como a microscopia eletrônica de varredura (MEV) e a microtomografia computadorizada de raios X (micro-TC) para estudar o esqueleto dos equinodermos e sua relação com os órgãos internos. Nos descrevemos a arquitetura tridimensional do anel calcário em 10 espécies de dendroquirotídeos e inferimos uma filogenia com base em caracteres do anel calcário. Nossos resultados sugerem que o anel complexo encontrado nos filoforídeos é derivado. A incorporação de dados de DNA e de fósseis, no entanto, será essencial para revelar o quadro completo. Todas as reconstruções 3D estão disponíveis gratuitamente on-line.
Taxonomia



Em 2011, uma expedição do Monterey Bay Aquarium Research Institute depositou 28 amostras de madeira a 3.100 metros de profundidade no Cânion de Monterey para investigar as comunidades associadas à queda de madeira no fundo oceânico ("wood-fall"). As amostras foram recuperadas dois anos depois. Estamos utilizando exame morfológico e sequenciamento parcial do genoma (genome skimming) para identificar e descrever as cinco espécies de equinodermos coletadas. Estou conduzindo este trabalho em parceria com Dylan Meier, recém-formado pela Stockton University, e com as Dras. Luciana Martins (MN/UFRJ) e Cristiana Castello Branco (MN/UFRJ).
Taxonomia

Desde 2012, espécimes do ouriço-do-mar Pseudoboletia têm aparecido regularmente em águas brasileiras, especialmente em áreas marinhas protegidas, mas sua identidade permanece incerta devido à ausência de características morfológicas diagnósticas e à falta de dados moleculares de populações atlânticas. Encontramos cinco novas ocorrências no sudeste do Brasil (2019–2021) e estamos analisando os padrões temporais e geográficos.
Resultados preliminares de sequências do gene COI mostram que os espécimes do Brasil, da Ilha de Trindade e do Golfo da Guiné pertencem à mesma espécie.
Estou conduzindo este trabalho com Drs. Luciana Martins (MN/UFRJ), Marcos Tavares (MZUSP) and Guilherme Henrique Pereira-Filho (UNIFESP).



Souto et al. (in prep)
Taxonomia
Descobrir espécies novas é uma das conquistas mais emocionantes da ciência. A taxonomia não é apenas divertida; é necessária. Espécies estão se extinguindo em um ritmo alarmante e ao negligenciar a descrição e classificação da biodiversidade, nós estamos perdendo informações relevantes para melhorar as estratégias de conservação, gestão de ecossistemas, biotecnologia e o nosso bem-estar.


